segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Intoxicação pelas folhas verdes de fumo preocupa produtores e médicos


A doença do tabaco verde (GTS – Green Tobacco Sickness), que atinge de 53% a 88% dos trabalhadores nas plantações de fumo da Índia, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), será alvo de investigações mais profundas no Brasil, a fim de medir sua incidência entre as famílias de fumicultores do país e, com isso, poder orientar melhor produtores e profissionais da saúde quanto aos cuidados e tratamentos administrados na rede pública. Com base em estudos preliminares, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-Brasil) já considera essa uma doença ocupacional das plantações de tabaco, causada pelo manuseio e exposição à nicotina liberada pelas folhas verdes de fumo durante a fase de colheita. Dores de cabeça, náuseas, tonturas, vômitos, fadiga, alterações repentinas de pressão e câimbras musculares são os principais sintomas da doença, registrados na literatura médica mundial. As pesquisas sobre o tema dão conta de que a concentração de nicotina na urina dos pacientes pode aumentar em até três vezes nessa época de intensa atividade produtiva.

Há muito, os agricultores se queixam de mal estar no período de colheita, quando também trabalham exaustivamente para cumprir as metas de produção e, ao procurarem atendimento médico com os sintomas da doença, os fumicultores são orientados a abandonarem a colheita de tabaco sob o risco de agravar ainda mais o quadro de debilidade. “E o pior é que para fugirem da responsabilidade de orientar ou mesmo indenizar os trabalhadores que são integrados a elas, as indústrias fumageiras negam a existência da enfermidade”, alerta o assessor técnico da Fetraf e membro da Câmara Setorial do Fumo, Albino Gewehr.

Desde 2003, a Federação, para embasar cientificamente a defesa dos trabalhadores, promove estudo de casos sobre a doença e, em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), foram investigadas as causas de intoxicação e mal estar que acometem os agricultores na época da colheita do fumo nos municípios de Arapiraca, em Sergipe, e Candelária, no Rio Grande do Sul. Amostras de urina de vários grupos de produtores foram submetidas à analise laboratorial. Em Candelária, RS, foram confirmados 33 dos 46 casos suspeitos e a dosagem de nicotina encontrada na urina dos pacientes não fumantes chegou a índices até seis vezes maiores que os encontrados no organismo de uma pessoa não fumante comum e mais até que um fumante possui normalmente. Esses índices são mais alarmantes entre os fumicultores consumidores de cigarros, podendo chegar a 16 vezes mais que a concentração de nicotina encontrada na urina de uma fumante comum.

Safra está no final e Ministério da Saúde não efetuou mudanças a tempo

Em todo o país, existem mais de 700 municípios produtores de tabaco. A maior parte deles está localizada na região Sul, que possui 186 mil agricultores que plantam fumo. Ao constatar a doença, o MS decidiu adotar uma série de providências internas, como ampliar a investigação epidemiológica para mais municípios produtores de tabaco, distribuir orientações ao sistema de saúde, a fim de qualificar o diagnóstico da doença do tabaco verde, estabelecer um protocolo de sintomas e cuidados a serem tomados e também realizar campanha de esclarecimento voltada aos agricultores.

Mas a morosidade do poder público em colocar em prática as suas decisões faz com que as orientações, cuidados e normas não cheguem a tempo de preservar a saúde de milhares de agricultores que plantam fumo em todo o país. A safra 2009/2010 está praticamente no final. O período de colheita, que vai de novembro a fevereiro, até sofreu atrasos e os produtores acumularam perdas da ordem de 25% a 40% por contas das fortes chuvas que atingiram e ainda atingem as áreas produtoras nessa época. Mas a colheita do fumo encontra-se em fase de finalização nos municípios tardios, nas regiões de serras.

O secretário geral da Fetraf-Brasil, Marcos Rochinski, reclama que, hoje, em plena colheita de tabaco, as queixas continuam e as novas investigações estão emperradas. “O sistema público de saúde desconhece o protocolo para diagnóstico e nem mesmo a campanha de esclarecimento chegou aos agricultores” lamenta. Ele também levanta a possibilidade de o poderio das multinacionais do tabaco ter conseguido barrar a efetivação dessas medidas. “Se não for isso, só podemos acreditar que a demora é devida à falta preocupação com a saúde de 900 mil pessoas envolvidas com o cultivo do fumo no Brasil”, afirma Rochinski.

ONGs e universidades empenhadas em garantir a proteção dos trabalhadores

A Fetraf-Brasil decidiu apoiar pesquisas de ONGs e universidades, interessadas em investigar a situação, para agilizar o processo de entendimento da doença e, com isso, acelerar o esclarecimento dos trabalhadores e da população em geral. Albino Gewehr informa que técnicos da Fetraf já foram a campo para coletar amostras de cabelo, que serão encaminhadas para a Universidade Johns Hopkins de Baltimore, nos Estados Unidos, que fará análises residuais de absorção de nicotina durante a colheita do fumo. “Com as amostras de cabelo teremos um histórico melhor da absorção de nicotina durante a colheita”, explica Gewehr. “Cada centímetro de cabelo equivale a um mês de vida. Sendo assim, poderemos detalhar o que ocorreu nos últimos meses”, diz. A análise da urina só identificava a contaminação ocorrida dentro de poucas horas.

A universidade norteamericana sedia o Instituto Global de Controle da Ação das Multinacionais do Tabaco, que se uniu à Fetraf e à Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) com a finalidade de realizar esses estudos e garantir, o mais rápido que for possível, as informações sobre as quais se apoiarão as ações de proteção dos trabalhadores da produção de fumo.

Jornalista: Thea Tavares – MTb 3207/PR

Contatos : Albino Gewehr – assessor técnico Fetraf/Brasil

albino@fetrafsul.org.brEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de email – (51) 9818 0707 -

Fonte:http://www.fetrafsul.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=460&Itemid=1

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

UNAIC Comercializa 14.500kg de Sementes Crioulas na Safra 2009/2010.


A UNAIC está fechando a vendas de sementes crioulas e varietais da safra 2009/2010, com uma comercialização recorde de 14.500 kg de Sementes.
“Se considerarmos a média de plantio de 15 kg por hectares chegaremos à marca de quase 1.000 hectares plantados”. Comemora Marcos Fanka, coordenador técnico do projeto de produção de sementes da UNAIC.
A marca de comercialização registrada em 2009 é histórica, já que superou todos os índices das safras anteriores. O Presidente da UNAIC, André dos Santos enfatiza que esse recorde “Estabelece a confiabilidade e o reconhecimento dos produtores da região na qualidade das sementes que são produzidas, beneficiadas e comercializadas pela UNAIC”.
Nesta safra a UNAIC estabeleceu como meta a disseminação das sementes crioulas, para uma área geográfica cada vez maior, para isso foram estabelecidas parcerias de comercialização através de prefeituras, sindicatos e cooperativas da região, alem da venda direta aos agricultores.
Em parceria com a Fundação Banco do Brasil - FBB a UNAIC realizou doações de sementes para comunidades tradicionais como as indígenas e quilombolas, alem de assentados da reforma agrária.
O principal objetivo dessas ações foi criar novos nichos de resistência das sementes crioulas buscando a reprodução das espécies já que neste período o Brasil anuncia a entrada no mercado de um numero superior de Sementes de Milho geneticamente modificadas (transgênicos), do que de sementes hibridas ou comuns, e esse tem sido um motivo de preocupação da equipe da UNAIC, já que Canguçu sedia uma das principais representações da Empresa Monsanto no RS, e que é uma das principais.
A equipe da UNAIC tem acompanhado com preocupação o avanço do cultivo das sementes de milho transgênico na região, e tem buscado estabelecer o dialogo com os produtores para que o avanço da produção desse tipo de sementes respeite pelo menos as regras de isolamento que são estabelecidas pela legislação brasileira, tentando com isso evitar a contaminação das lavouras crioulas.
A UNAIC ainda dispõe de sementes para venda, informações poderão ser adquiridas pelos telefones: 53- 3252.1011 / 3252.3444 ou no e-mail: uniaoass@gmail.com .

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Proibida capina com agrotóxicos nas cidades

A capina química em áreas urbanas expõe a população ao risco de intoxicação, além de contaminar a fauna e a flora local. Por esse motivo, tal prática não é permitida. Para orientar municípios de todo país sobre os perigos do uso de agrotóxicos nas cidades, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta segunda-feira (1), nota técnica sobre o tema.

“Esse esclarecimento está sendo efetuado devido ao recebimento de inúmeras denúncias sobre a realização dessa prática ilegal e questionamentos da sociedade sobre a real necessidade da pulverização desses produtos químicos em ruas, calçadas, praças e parques das cidades”, diz Dirceu Barbano, diretor da Anvisa. Devido à ausência de segurança toxicológica, desde 2003 a Agência não permite a aplicação de herbicidas em ambientes urbanos.

De acordo com Barbano, a prática de capina química cria dificuldades técnicas na conciliação da aplicação do agrotóxico em ambientes urbanos e a preservação da saúde da população das cidades. “Os herbicidas indicados para o uso urbano seriam os mesmos utilizados na agricultura, os quais possuem regras restritas para manipulação, aplicação e acesso posterior às áreas tratadas”, explica o diretor da Anvisa.

Todos os produtos registrados para uso agrícola possuem, como regra, um período de reentrada mínimo de 24 horas, ou seja, após a aplicação do produto, a área deve ser isolada e sinalizada e, no caso de necessidade de entrada no local durante este intervalo, o uso de equipamentos de proteção individual é obrigatório. Esse período de reentrada é necessário para impedir que pessoas entrem em contado com o agrotóxico aplicado, ainda molhado, o que aumenta muito o risco de intoxicação.

“Em ambientes urbanos, o completo e perfeito isolamento de uma área por pelo menos 24 horas é impraticável, isto é, não há meios de assegurar que toda a população seja adequadamente avisada sobre os riscos que corre ao penetrar em um ambiente com agrotóxicos, principalmente em se tratando de crianças, analfabetos e deficientes visuais”, pondera Barbano. Outro aspecto são os solos da cidade, que, na maior parte, sofrem compactação ou são asfaltados, ocasionando a persistência dos produtos por mais tempo no ambiente urbano, ao contrário dos solos agrícolas, que são permeáveis, diminuindo o acúmulo e facilitando o escoamento superficial do produto.

“A capina tem sido realizada rotineiramente por meio mecânico em vários municípios do Brasil, o que, além de não expor a população a riscos desnecessários, é ecologicamente correto e gera um grande número de empregos”, finaliza o diretor da Anvisa. Vale lembrar que mesmo após a aplicação de herbicidas, é necessário realizar a capina mecânica para se retirar a vegetação seca.

Danilo Molina – Imprensa/Anvisa

domingo, 31 de janeiro de 2010

FSM - Oficina Discute o Avanço das Lavouras Transgênicas no Brasil



Evento realizado durante Fórum Social de Porto Alegre mostra que contaminação por transgênicos representa rompimento do processo evolutivo de seleção e melhoramento de plantas

Na tarde do último dia 26, o auditório do Sindicato Semapi encheu para a oficina “O Avanço das Lavouras Transgênicas no Brasil: situação atual, normativas, riscos e perspectivas para 2010”.

Os participantes apresentaram detalhes avaliando o que se passou em 2009. Até este ano, nunca antes na história desse país um número tão grande de transgênicos havia sido liberado em tão pouco tempo e de forma tão açodada. Entre soja, milho e algodão, são 19 variedades aprovadas que estão no mercado ou em vias de entrar.

Para se chegar a tal número foi necessário editar 3 medidas provisórias entre 2003 e 2004 legalizando a soja Maradona, plantada ilegalmente no País, e aprovar uma nova lei de biossegurança em 2005, dando poderes totais para a CTNBio e tornando facultativa, à critério desta, a realização dos estudos prévios de impacto ambiental - previstos na Constituição Federal. Também foi necessário reduzir a zona livre de transgênicos no entorno das unidades de conservação para resolver o problema da Syngenta no Paraná e mudar, em 2006, a recém aprovada lei para que um transgênico passasse a ser liberado com não mais 18, mas apenas 14 votos. Foi também necessário chutar para escanteio em 2007 os recursos técnicos de Ibama e Anvisa alertando os 11 ministros do Conselho Nacional de Biossegurança para os impactos negativos que resultariam da liberação do milho transgênico. Foi ainda preciso que, ao longo de 2009, vários ministérios empurrassem com a barriga sua obrigação de nomear representantes da sociedade organizada para a famigerada CTNBio.

Nesse meio tempo o governo também teve que ampliar em 50 vezes o limite de resíduo do veneno Roundup permitido na soja transgênica, que supostamente demandaria menos veneno. Em 2008, 58% da soja paranaense estaria condenada não fosse o alargamento do limite.

Para quem ainda acredita que as liberações de transgênicos são baseadas em critérios científicos, o pesquisador da Embrapa José Maria Ferraz apresentou dados mostrando que as pesquisas feitas pelas empresas são de tal forma inconsistentes que não seriam aceitas para publicação por nenhuma revista especializada. Porém, é com base nesses dados os transgênicos são aprovados.

Leonardo Melgarejo, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na CTNBio, lembrou que a pauta da Comissão para 2010 tem, além de liberações de arroz, soja e milho transgênicos, debates sobre possível desmanche de regras relativas a liberações comerciais e monitoramento pós-comercialização. O conselho de ministros se comprometeu a criar grupo de trabalho para definir o monitoramento mas, em paralelo, mais realista que o rei, a Comissão abre debate para pôr fim ao mesmo.

O professor Paulo Kageyama, da Esalq/USP, alertou para o fato de que o eucalipto transgênico que está sendo pesquisado não terá utilidade para uso como madeira nem carvão, dado que a modificação genética aplicada na espécie visa reduzir seus teores de lignina, elemento que dá dureza à madeira e sustentação à planta. Seu uso será exclusivo para a indústria de papel e celulose. Plantas com reduzida lignina podem ser mais vulneráveis ao ataque de insetos praga e ao tombamento em vendavais.

Rubens Nodari, professor titular da UFSC, apresentou um estudo com compilação de dados comprovando a contaminação do milho a distâncias superiores às estabelecidas pela CTNBio e destacou que nenhuma dessas informações foi levada em consideração pela Comissão. “Ao se destruir a diversidade genética, destroi-se também sua história evolutiva e a diversidade de conhecimentos a ela associados”, conclui Nodari.

O debate entre os participantes reforçou o fato de que é cada vez mais necessário ampliar esforços de comunicação para que a população tenha mais informações sobre o tema. Já no campo, a luta é para que os agricultores não percam o controle sobre suas sementes. Cada semente não transgênica que vai para o solo é um ato de resistência e uma vitória.

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As exposições dos palestrantes estão disponíveis na internet:
http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/campanhas/oficina-debate-transgenicos-no-forum-social-mundial-2010/

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

UNAIC Apoia encontro de Capacitação dos Conselhos de Alimentação Escolar

A UNAIC está apoiando a realização do Encontro de Capacitação de Conselheiros em Alimentação Escolar, que é promovido pelos Conselhos de Alimentação Escolar (CAE) dos municipios de Canguçu e Pelotas , o encontro será realizado no dia 25 de Fevereiro de 2010 , no Colégio Municipal Pelotense em Pelotas/RS e terá como palestrantes Ana Luiza Scarparo e Sonia Rauber ambas do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar Sul (CECANE - UFRGS).

Programação:

Manhã

07h30 - Credenciamento

07h45 - UNAIC - canguçu

08h - Abertura Oficial + Apresentação do CECANE

08h - 10h: Exposição: Histórico e a nova legislação do PNAE

10h - Pausa Café

10h15 - 11h15: Atribuição dos Atores envolvidos no PNAE

11h15 - 12h30: Compra no Programa + Agricultura familiar + cardápio e teste de aceitabilidade

12h30 - 13h30: Almoço - LIVRE

Tarde

13h30 -14h45 Higiene dos alimentos

14h45 - 15h30 Exposição sobre prestação de contas

15h30 - 15h45 Pausa para café

15h45 - 17h30 Prestação de contas atividade prática

17h30 Encerramento

Enviar as seguintes informações para o e-mail encontrodocaepelotas2010@gmail.com , junto com a cópia do comprovante de depósito de R$ 10,OO

Banco do Brasil, agência 0617-3 conta nº. 24867-3

até o dia 23 de fevereiro de 2010.

Nome completo:

Qual sua atuação no PNAE? ( ) Conselheiro - Qual segmento representa:

Município(s) em que atua: .

e-mail:

Telefone para contato: (DDD )

Endereço: ( ) residencial ( ) secretaria de educação

Rua:

Município:

Realização:

ORGANIZAÇÃO: CAE/ CANGUÇU – CAE/ PELOTAS – CECANE / UFRGS.

APOIO: UNAIC – UNIÃO DAS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS DO INTERIOR DE CANGUÇU.




Plásticos que embalam comida: FDA começa a admitir riscos


O FDA, órgão do governo estadunidense responsável pela regulamentação de medicamentos e alimentos, mudou de posição ao expressar preocupação sobre os possíveis riscos para a saúde associados ao bisfenol-A (cuja sigla em inglês é BPA), um componente de plásticos amplamente usado em garrafas e embalagem de alimentos. Em 2008 o FDA havia declarado que o BPA era seguro.

Na última semana o FDA declarou que tinha “alguma preocupação sobre os potenciais efeitos do BPA sobre o cérebro, comportamento e próstata de fetos, bebês e crianças”, e que se juntaria a outras agências federais de saúde para estudar o componente químico em animais e humanos.

A mudança de postura do FDA é vista como um exemplo de que a saúde pública está sendo tratada de maneira mais séria sob a administração Obama.

O BPA é usado desde a década de 1960 para fazer garrafas plásticas, mamadeiras e copos de treinamento para crianças pequenas e revestimento de latas para acondicionamento de alimentos e bebidas, incluindo as latas usadas para embalar fórmulas infantis. Recentemente, após o BPA ter se tornado conhecido especialmente entre pais, os principais fabricantes de mamadeiras e copos infantis deixaram de usar o químico nestes utensílios [nos EUA]. O Canadá já proibiu o uso de BPA em produtos infantis. Chicago e Suffolk County, em Nova Iorque, fizeram o mesmo. O plástico contendo BPA é geralmente marcado com o número 7 no símbolo da reciclagem.

O BPA pode lixiviar do plástico para os alimentos. Um estudo envolvendo mais de 2 mil pessoas descobriu que mais de 90% apresentavam BPA na urina. Traços do produto químico também foram encontrados em leite materno e no sangue de mulheres grávidas e de cordões umbilicais.

O governo estadunidense irá gastar US$ 30 milhões em pesquisa sobre os efeitos do BPA em humanos e animais. As pesquisas deverão levar entre 18 e 24 meses.

Extraído de:

New York Times, 16/01/2010.

Leia a íntegra da reportagem, em inglês, em:

http://www.nytimes.com/2010/01/16/health/16plastic.html

Em: http://pratoslimpos.org.br/?p=695

O drama da resistência anunciada: mato coloca glifosato em xeque


Pesquisadores e agrônomos reunidos na 1ª Conferência Pan-Americana sobre Resistência de Plantas Daninhas, que levou 300 especialistas a Miami (EUA), anunciaram o fim da tranquilidade da “era glifosato”, herbicida apontado como o produto mais eficiente já desenvolvido para o controle do mato no cultivo da soja. As ervas capazes de sobreviver a aplicações duplas já atingiram 40% das lavouras de soja (convencional e transgênica) no Paraná e cerca de 20% no Brasil, disseram pesquisadores brasileiros.

Essas plantas espalharam-se com rapidez, principalmente na América do Norte e na Europa, e agora encabeçam a lista das preocupações no Brasil. No país, estima-se que existem 21 espécies resistentes aos mais diversos agroquímicos, e que 4 delas não morrem quando recebem glifosato. (…)

Soluções estão sendo discutidas, mas todas envolvem aumento de custos. Além disso, as plantas resistentes tiram a tranquilidade do produtor. Quem fazia apenas uma aplicação de glifosato pode ter de percorrer a lavoura com pulverizadores até três vezes.

Das quatro plantas daninhas resistentes ao glifosato, a Coniza, conhecida como buva, é a que mais preocupa, pela rápida expansão e pela capacidade de suportar altas doses de agrotóxicos. As outras três são o azevém, o amendoim-bravo ou leiteira e o capim amargoso. O controle químico, nesses casos, é considerado mais eficiente que na buva. Todas essas ervas resistentes se concentram no Sul. A buva tem avançado rapidamente para o Centro-Oeste, disseram os especialistas.

“A buva resistente atingiu 1,8 milhão de hectares no Paraná e cerca de 4 milhões em todo o Brasil. Quatro anos atrás, os casos eram raros. Sabíamos que plantas resistentes podiam surgir, mas não de forma tão rápida”, disse o especialista em plantas daninhas Fernando Adegas, da Embrapa Soja. Ele conta que as perdas chegam a 30% com duas buvas por metro quadrado. Uma única planta produz 200 mil sementes, que podem viajar mais de 50 quilômetros mesmo quando não há vento forte, dizem os pesquisadores. (…)

Fonte:

Gazeta do Povo, 21/01/2010.

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/caminhosdocampo/conteudo.phtml?tl=1&id=965696&tit=Erva-daninha-coloca-em-xeque-o-glifosato

Milho Transgênicos faz mal a saúde afirma estudo Frances


O estudo recente de pesquisadores franceses que aponta impactos do milho transgênico à saúde chama atenção não só pelos danos que comprova, mas principalmente por mostrar que chegou-se a tais conclusões após análise criteriosa de estudos da própria Monsanto. São esses dados exatamente os mesmos analisados por órgãos reguladores e que a empresa manteve sob sigilo até ser obrigada judicialmente a torná-los públicos. A divulgação permitiu que o biólogo molecular Gilles-Eric Séralini e sua equipe comparassem os efeitos das variedades MON 863, NK 603 e MON 810 sobre a saúde de mamíferos. As duas últimas estão aprovadas no Brasil, bem como a semente resultante de seu cruzamento.

Cada um desses milhos provocou reações diferenciadas no organismo das cobaias, mas em comum apresentaram efeitos colaterais novos que variaram em função do sexo e da dose ingerida, concentrando-se principalmente sobre fígado e rim, órgãos ligados à eliminação de impurezas. Em quase todos os ratos de todos os grupos tratados com ração de milho transgênico observou-se tendência a distúrbios fisiológicos.

Tão precários são os dados submetidos às autoridades, que além de o número de ratos testados ser pequeno demais para se aplicar uma análise estatística com boa margem de confiança, em nenhum momento está demonstrado que a ração fornecida ao grupo controle era de milho não-transgênico.

Em função da baixa qualidade dos dados, a equipe de Séralini afirma ter chegado a claros “sinais de toxicidade” resultante da ingestão das três variedades de milho testadas, frisando a diferença desses para “efeitos tóxicos”, estes sim deletérios no curto ou médio prazo. Para obter-se confirmações mais incisivas seria necessário repetir os testes — que foram feitos uma única vez –, usar outras espécies como cobaia e estender o período de avaliação de 30 ou 90 dias para dois anos.

No caso do NK 603, os dados apontam perda renal e alterações nos níveis de creatinina no sangue e na urina, que podem estar relacionados a problemas musculares. É por esse motivo que os pesquisadores destacam que o coração foi afetado nos ratos alimentados com esta variedade. A alteração do tamanho dos poros da membrana renal, como evidenciado pelos dados, pode ser resultado da presença de resíduos de glifosato, ingrediente ativo do herbicida aplicado sobre esta variedade de milho. A CTNBio, por sua vez, informa que “o milho NK603 é tão seguro quanto às versões convencionais”, que a modificação genética “não modificou a composição nem o valor nutricional do milho”, que “há evidências cientificas sólidas de que o milho NK 603 não apresenta efeitos adversos à saúde humana e animal” e que “o valor nutricional do grão derivado do OGM referido tem potencial de ser, na realidade, superior ao do grão tradicional”.

O quadro para o MON 810 não muda muito. Embora os machos em geral demonstrem maior sensibilidade a tóxicos, foram as fêmeas que apresentaram ligeiro aumento do peso dos rins, que pode corresponder a uma hiperplasia branda, geralmente presente quando associada a processos imunoinflamatórios.

Por essas e outras os autores do artigo publicado no International Journal of Biological Sciences concluem que os dados sugerem fortemente que estas três variedades de milho modificado induzem a um estado de toxicidade hepatorrenal, que pode resultar da exposição a pesticidas (glifosato e Bt) que nunca fizeram parte de nossa alimentação. Já a CTNBio avalia que no caso do MON 810 “os efeitos intencionais da modificação [genética] não comprometeram sua segurança nem resultaram em efeitos não-pretendidos” e que a “proteína é tóxica somente para lagartas”.

Ao contrário da certeza prontamente manifestada por nossos próceres doutores, os dados da própria Monsanto, quando rigorosamente analisados, não permitem que se demonstre que seus produtos são seguros para o consumo humano ou animal.

Fonte: Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

10 anos de FSM : Sociólogo Português critica criminalização dos movimentos

O sociólogo português Boaventura dos Santos criticou duramente a criminalização dos movimentos sociais em intervenção nesta manhã (28/1) no Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Durante um debate sobre direitos humanos, Boaventura pediu a palavra e criticou a ação do Ministério Público e do Governo do Estado no Rio Grande do Sul. “ Se a criminalização continuar, o ar do Rio Grande do Sul torna-se irrespirável para o Fórum Social Mundial”, declarou.

Segundo Boaventura, as medidas de criminalização criaram um “Estado de Exceção” no Rio Grande do Sul. O sociólogo também criticou o fechamento das Escolas Itinerantes: "Se proíbem as marchas, se proíbem as escolas itinerantes, depois se criminalizam os pais por não mandarem os filhos às escolas".

Boaventura também pediu ao Ministério Público que arquive todas as ações civis de criminalização ao MST no Rio Grande do Sul.

Momentos antes da intervenção de Boaventura dos Santos, o integrante do Comitê Estadual contra a Tortura, Carlos D’Elia apresentou denúncia da “disseminação da prática de tortura no Rio Grande do Sul”, utilizando as ações da Brigada Militar em São Gabriel como referência. Segundo relatório do Comitê, a polícia utilizou cassetetes, balas de borracha e armas elétricas com as famílias acampadas, resultando em inúmeros feridos e no assassinato de Elton Brum em um despejo no ano passado.

Na noite desta quinta-feira (28/1), entidades, movimentos sociais e personalidades realizam ato contra a criminalização na Assembléia Legislativa gaúcha, a partir das 20h.
Fonte: http://www.mst.org.br/node/8990