sexta-feira, 11 de maio de 2012

Suícidio de adolescentes entre povos indígenas


Na quarta-feira 09 de maio é apresentado um estudo que analisa um fenômeno preocupante e pouco conhecido: o alto número de suicídios na população indígena da América Latina.
Embora a população da região tem uma baixa taxa de suicídio em todo o mundo, o suicídio de jovens indígenas em particular, leva as taxas entre os diferentes grupos da população da América Latina.
Isto foi revelado por "suicídio indígena adolescente. Três estudos de caso ", que analisa comparativamente casos entre os jovens, povos indígenas awajún (Peru), Guarani (Brasil) e Embera (Colômbia).
O texto foi publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Agência Espanhola de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (AECI) e do Grupo de Trabalho Internacional para Assuntos Indígenas (IWGIA).
A investigação começou a partir de um comentário feito pelo Comitê sobre os Direitos da Criança observou em 2009 que "em alguns Estados-partes, taxas de suicídio entre crianças indígenas são significativamente mais elevados do que crianças não indígenas"
No mesmo ano, o livro "A situação global dos povos indígenas", publicado pela Organização das Nações Unidas coloca o suicídio de jovens indígenas no contexto de discriminação, a marginalização, a colonização ea perda traumática de estilos de vida tradicionais.
O Fórum Permanente sobre Questões Indígenas das Nações Unidas ecoou essa preocupação e recomendou que o UNICEF iniciar uma investigação.
A pesquisa foi realizada com o apoio do Grupo de Trabalho Internacional para Assuntos Indígenas e enfatizou a captar e transmitir a visão dos jovens para buscar uma melhor compreensão da contingência dolorosa.
O volume registra as informações preocupantes dos escritórios locais de saúde concordam que a taxa de suicídio entre adolescentes tem aumentado de forma alarmante.
A discriminação contínua contra indígenas, mudanças drásticas no seu ambiente, a violação sistemática dos seus direitos e impotência das decisões que afetam seu desenvolvimento, causar indivíduo situações traumáticas e as conseqüências coletivas.
Uma resposta a estas situações de desesperança é o aumento de mortes por suicídio entre crianças e jovens. Alguns dos povos indígenas, como os Guarani do Brasil, atingindo valores 30 vezes superiores à média nacional.
O livro reconhece as limitações da informação disponível que não medir a magnitude do problema. No entanto, os dados oficiais e privadas necessitam de melhor investigação e medidas preventivas.
Sem dúvida, o documento representa um esforço inicial para entender, de uma perspectiva cultural, o que acontece em algumas pessoas que levam suas filhas para escolher o suicídio como uma resposta para seus problemas.
Instituições patrocinadoras também esperamos fornecer informações úteis para as pessoas afetadas e incentivando-os a assumir uma postura pró-ativa, para mostrar a seriedade de um problema que pode interferir com seus planos de vida.
Ele também tenta chamar a atenção para os Estados a assumirem as suas próprias responsabilidades na redução de danos, prevenção e erradicação desse grave problema.
Miguel Hilario, um funcionário do UNICEF para as questões indígenas, destacadas na apresentação do livro que os governos muitas vezes não têm a perspectiva política para alcançar adequadamente as populações indígenas.
Informado dos esforços do UNICEF para tentar obter informações quantitativas e qualitativas sobre o suicídio na adolescência e continua a apoiar a investigação que dão pistas para reverter o grave problema.
Hilary, que são as pessoas Shipibo indígenas do Peru, reconheceu e agradeceu as preocupações institucionais da IWGIA e Lourdes Maria Alcantara, antropólogo Brasil, para a visibilidade da questão da vigilância necessária e oportuna esforços para proporcionar a juventude indígena uma vida decente.
O estudo coordenado por Alejandro Parellada IWGIA foi desenvolvido no Peru por Irma Tuesta, Garcia Malena, Pedro Garcia e da Comissão sobre Saúde e Nutrição ODECOFROC federação.
No Brasil participou Indianara Ramires, Maria de Lourdes Beldi e Zelik Trajber. Na Colômbia, Lina Marcela Tobon, Patricia Tobon e Jenzera Negociação Coletiva.

Fonte: Servindi

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Estudos apontam que aumento do câncer segue ritmo do lucro com agrotóxicos

Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST




Dois estudos que associam o uso de agrotóxicos ao surgimento do câncer na população brasileira foram lançados na semana passada. 

O dossiê feito pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde aponta que um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado.

O estudo foi feito a partir da análise de amostras coletadas em todas as 26 estados do Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2011. 

Estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) sobre o câncer relacionado ao trabalho, revela que há em torno de 500 mil novos casos da doença por ano, e muitos desses casos ocorrem por contaminação por agrotóxicos (seja na sua aplicação e exposição pelos trabalhadores nas lavouras, seja no acúmulo de veneno nos alimentos). 

O estudo afirma que os venenos agrícolas devem estar no centro da preocupação da saúde pública, devido ao grande número de estudos anteriores que apontam o potencial cancerígeno dos agrotóxicos, além da ocorrência de outros agravos relacionados a esses produtos. 

Uma série de agrotóxicos comprovadamente causa câncer, como o DDT/DDE, o 2,4-D, o lindane, o clordane, o agente laranja, o aldrin, o dieldrin, o alaclor, a atrazina, o glifosato, o carbaril, o diclorvos, o dicamba, o malation, o MCPA e o MCPP ou mecoprop. 

O estudo relaciona câncer de mama, estômago e esôfago, cavidade oral, faringe e laringe e leucemias ao uso dos agrotóxicos. 

Essas substâncias produzidas por grandes empresas transnacionais do agronegócio
contaminam os alimentos consumidos e causam doenças nos trabalhadores que que aplicam os produtos nas lavouras.

De acordo com o estudo, a população rural é uma das mais afetadas, pois é o setor mais exposto aos agrotóxicos. Por fim, os venenos também são responsáveis por contaminar as águas e tornar terras inférteis.

Indústria do agrotóxico

Apesar de todos os efeitos negativos apontados por estudos, a indústria dos agrotóxicos não pára de crescer.

Dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram que, entre 1990 e 2010, o Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Nesse período, o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 576%, dando um lucro de US$ 7,3 bilhões às empresas produtoras de venenos. 

Sob o discurso de acabar com a fome do mundo por meio do aumento da produtividade, o agronegócio se utiliza dos agrotóxicos para controlar pragas causadas pelo próprio modelo, baseado na monocultura.

Ao plantar apenas uma cultura em larga escala, o agronegócio acaba com a diversidade local, o que dá origem a várias pragas, que demandam a utilização dos venenos para ser extintas. Além disso, a legislação brasileira permite a comercialização e uso de diversos compostos químicos que já são proibidos em outros países, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, cujas leis são mais rígidas. Segundo a Anvisa,14 agrotóxicos comercializados no país são comprovadamente prejudiciais a saúde e já foram proibidos em outros países.  

A maior utilização dos agrotóxicos se dá nas lavouras das commodities. Em 2010, a soja utilizou 44,1% de todos os venenos do país; algodão, cana-de açúcar e milho foram responsáveis por 10,6%, 9,6% e 9,3%, respectivamente. 

As plantações de outras culturas representam 19% do consumo total. Como as commodities são tratadas como qualquer mercadoria, o intuito do agronegócio e do uso abusivo de agrotóxicos não é acabar com a fome, mas obter lucro. 

Crescimento desenfreado

Por que os agrotóxicos dominaram a produção rural brasileira? Segundo cartilha lançada pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, a chamada “Revolução Verde” imposta pela Ditadura Militar abriu a porta para a entrada dos venenos no Brasil. 

Com essa “revolução”, a agricultura do Brasil foi aberta para a exploração de empresas transnacionais, que venderam aos latifundiários máquinas responsáveis por expulsar boa parte dos camponeses, aumentar a concentração de terra e a pobreza, além dos agrotóxicos para o controle das pragas na lavoura.

A “Revolução Verde” buscou apagar da memória as formas antigas de proteção das lavouras, substituindo-as pelos agrotóxicos. Esses venenos se tornaram, de lá para cá, um dos pilares para o modelo de desenvolvimento agrário adotado pelo Brasil, o agronegócio. 

A criação e uso das sementes transgênicas também incentiva o consumo de agrotóxicos, pois estas sementes são resistentes a um tipo de veneno específico produzido pela mesma empresa que vende as sementes. 

Transição Agroecológica 

O que se fazer para reverter este quadro? A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, assim como o dossiê da Abrasco, apontam o modelo agroecológico não só como alternativa ao agronegócio, mas também ao uso dos venenos. 

A campanha propõe o resgate das técnicas naturais de proteção das lavouras, que foram deixadas para trás com a imposição do modelo do agronegócio. 

É possível, segundo a cartilha, que agricultores que utilizam agrotóxicos realizem uma “transição agroecológica”, na qual gradualmente parem de utilizar os venenos, pois quanto mais agrotóxico se aplica, mais caro é o gasto na produção, o que aumenta a dependência do agricultor para com as grandes empresas. Além disso, o modelo agroecológico propõe que se plante diversas culturas na mesma terra, de modo a se preservar a diversidade, o que diminui a incidência de pragas.

Abaixo, algumas das técnicas naturais sugeridas pela Campanha para proteção da lavoura:

EXTRATO DE FOLHA DE NIM

Secar e moer folhas de nim. Colocar 60g de folhas de nim em 1 litro de água. Deixar em repouso por 8 horas. Coar e aplicar na forma de pulverizações para controle de pragas.

CALDA DE FUMO

Picar 100g de fumo e colocar em meio litro de álcool. Acrescentar meio litro de água e deixar curtir por 15 dias. Depois dissolver 100g de sabão neutro em 10 litros de água e acrescentar a mistura. Aplicar na forma de pulverizações para controle de vaquinhas, cochonilhas, lagartas
e pulgões. 

CALDA DE FUMO COM PIMENTA

Colocar 50g de fumo picado e 50g de pimenta picante dentro de 1 litro de álcool. Deixar curtir por uma semana. Misturar em 10 litros de água com 250g de sabão neutro ou detergente. Aplicar na forma de pulverizações para o controle de vaquinhas, lagartas e cochonilhas e insetos em geral.

CALDA DE CEBOLA

Colocal 1kg de cebola picada em 10 litros de água. Curtir por 10 dias. Coar e colocar 1 litro deste preparado em 3 litros de água para aplicar na forma de pulverizações. Age como repelente aos insetos como pulgões, lagartas e vaquinhas.

CRAVO DE DEFUNTO

Colocar 1kg de folhas e talos de cravo de defunto em 10 litros de água. Ferver por meia hora deixando de molho por duas horas. Coe e pulverize, visando o controle de pulgões, ácaros e algumas lagartas.

CALDA DE CAMOMILA

Colocar 50g de flores de camomila em um litro de água. Deixar de molho por 3 dias, agitando 4 vezes por dia. Coar e aplicar 3 vezes na semana, evitando doenças fúngicas.

ARMADILHA COM LEITE

Utilizar estopa ou saco de aniagem, água e leite. Distribuir no chão ao redor das plantas a estopa ou saco de aniagem molhado com água e um pouco de leite. Pela manhã, virar a estopa ou o saco utilizado e coletar as lesmas e caracóis que se reuniram embaixo para serem queimadas e enterradas em um buraco.

LEITE CRU E ÁGUA

Pulverizar sobre as plantas uma solução de água com 5 a 20% de leite de vaca sem pasteurizar para o controle do oídio, doença que ataca diversas hortaliças. O oídio é também conhecido como “cinza” porque causa grandes manchas brancas acinzentadas principalmente nas folhas e nos ramos.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dossiê da Abrasco alerta sobre impacto dos agrotóxicos na saúde


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POR UM BRASIL ECOLÓGICO,
LIVRE DE TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS
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A Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) lançou no último final de semana, durante o Congresso Mundial de Alimentação e Nutrição em Saúde Pública (WNRio 2012), um dossiê sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde dos brasileiros. O documento, elaborado por representantes de vários grupos temáticos da Associação, tem como objetivo sensibilizar, por meio de evidências científicas, as autoridades públicas nacionais e internacionais para a construção de políticas públicas que possam proteger e promover a saúde humana e dos ecossistemas impactados por esses produtos químicos.
"O dossiê é um alerta à sociedade e ao Estado brasileiro. Registra e difunde a preocupação de pesquisadores, professores e profissionais com a escalada do uso de agrotóxicos no país e a contaminação do ambiente e das pessoas dela resultante, com severos impactos sobre a saúde pública", afirma Luiz Augusto Facchini, presidente da Abrasco. Além dos efeitos imediatos, como intoxicação e morte, os efeitos crônicos podem ocorrer meses, anos ou até décadas após a exposição, manifestando-se em várias doenças como cânceres, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais.
"Nos últimos três anos o Brasil vem ocupando o lugar de maior consumidor de agrotóxicos no mundo. Os impactos à saúde pública são amplos porque atingem vastos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais. Tais impactos são associados ao nosso atual modelo de desenvolvimento, voltado prioritariamente para a produção de bens primários para exportação", afirmou Fernando Carneiro, do GT Saúde e Ambiente da Abrasco, que coordenou a elaboração do documento.
O documento cita dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Observatório da Indústria dos Agrotóxicos da UFPR, divulgados durante o 2º Seminário sobre Mercado de Agrotóxicos e Regulação, realizado em Brasília em abril de 2012, mostrando que enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, o mercado brasileiro cresceu 190%. Em 2008, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o posto de maior mercado mundial de agrotóxicos. O resultado dessa crescente dependência dos agrotóxicos e fertilizantes químicos é que um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado, segundo análise de amostras coletadas em 26 Unidades Federadas do Brasil, realizadas pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da Anvisa (2011).
O dossiê também traz informações detalhadas sobre outros temas, como a contaminação da água por agrotóxicos no país e a nova Portaria do Ministério da Saúde (2.914/2011) que regulamenta os parâmetros de potabilidade da água, estabelecendo os limites de resíduos para 27 tipos de agrotóxicos, 15 produtos químicos inorgânicos (metais pesados), 15 produtos químicos orgânicos (solventes) e 7 produtos químicos secundários da desinfecção domiciliar, além de permitir o uso de algicidas nos mananciais e estações de tratamentos.
"A ampliação do número de substâncias químicas listadas na Portaria que define os critérios de qualidade da água para o consumo humano reflete, ao longo do tempo, a crescente poluição do processo produtivo industrial que utiliza metais pesados e solventes, do processo agrícola que usa dezenas de agrotóxicos e fertilizantes químicos e da poluição residencial que utiliza muitos produtos na desinfecção doméstica. Esta ampliação pode levar a uma cultura de naturalização e consequente banalização da contaminação, como se esta grave forma de poluição fosse legalizada.", diz o documento. O argumento apresentado em seguida evidencia o tamanho do problema que envolve a contaminação da água potável: "Por outro lado, porque monitorar menos de 10% dos ingredientes ativos oficialmente registrados no país? Se seria inviável incluir na legislação o monitoramento de todos eles – cerca de 600, é razoável aprovar o registro destes biocidas, abrigados no paradigma do 'uso seguro'?",
O estudo também apresenta uma classificação e descrição dos efeitos e/ou sintomas agudos e crônicos relacionados aos diferentes grupos de agrotóxicos, bem como aborda a questão dos desafios para a ciência nesse campo – discutindo, por exemplo, as muitas lacunas de conhecimento que são evidenciadas quando se trata de avaliar a multiexposição ou a exposição combinada de agrotóxicos. "A grande maioria dos modelos de avaliação de risco servem apenas para analisar a exposição a um princípio ativo ou produto formulado, enquanto que no mundo real as populações estão expostas a mistura de produtos tóxicos cujos efeitos sinérgicos (ou de potencialização) são desconhecidos ou não são levados em consideração.", ressalta o dossiê. O documento também questiona o conceito da Ingestão Diária Aceitável (IDA), através do qual estudos experimentais isolados e extrapolações matemáticas determinam valores "aceitáveis" de exposição humana aos produtos tóxicos.
Ao final do documento são apresentados alguns desafios para as políticas públicas de controle e regulação de agrotóxicos e para a promoção de processos produtivos saudáveis. A agroecologia recebe um tratamento de destaque, sendo abordada como uma "como uma estratégia de promoção da saúde".
O dossiê termina com uma lista de 10 propostas da Abrasco de "ações concretas, viáveis e urgentes voltadas para o enfrentamento da questão do agrotóxico como um problema de saúde pública".
Trata-se de um documento extremamente rico, recheado de informações importantes e atualizadas, que servirá tanto para qualificar o debate e a militância que luta contra o modelo dominante de agricultura que contamina as pessoas e o ambiente, como, esperemos, para influenciar os formuladores e gestores de políticas públicas relacionadas ao tema.
Leia na íntegra o dossiê da Abrasco – "Um alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde".
A segunda parte do dossiê, que terá como tema "Agrotóxicos, Saúde e Sustentabilidade", será lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), na Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, que acontecerá entre 20 e 22 de junho.
Com informações da página da Abrasco.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Salário Maternidade de 6 meses

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul - FETRAF-SUL lança campanha para a garantia do Salário Maternidade de 6 meses para as mulheres da agricultura familiar.

Abaixo assinado busca sensibilizar o governo para essa questão.



sexta-feira, 9 de março de 2012

Pesquisadores suíços confirmam efeito letal de toxina Bt sobre joaninhas

Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça (ETH), em Zurique, confirmaram a descoberta anterior de que a toxina Bt Cry1Ab produzida por plantas de milho transgênico aumenta a mortalidade de larvas jovens de joaninha de duas pintas (Adalia bipunctata L.) em testes de laboratório. Esses insetos são típicos "organismos não alvo" que supostamente não seriam afetados pelo milho transgênico. Além disso, são insetos benéficos, que promovem o controle biológico de outras pragas.
 
Em 2009 a equipe de pesquisadores liderados pela Dra. Angelika Hilbeck publicou o estudo original, que foi incluído, juntamente com muitas outras pesquisas, entre as provas utilizadas pelo governo alemão para justificar o banimento do plantio comercial de milho transgênico que expressa a toxina testada.
 
Não demorou para que a pesquisa começasse a ser atacada pelos defensores dos transgênicos, que em fevereiro de 2010 publicaram um conjunto de artigos na revista "Transgenic Research" acusando o estudo de ser baseado em "pseudo-ciência" e apresentando pesquisas próprias com o objetivo de desmentir o trabalho de Hilbeck.
 
Agora, em 15 de fevereiro de 2012, a equipe da Dra. Hilbeck publicou os resultados de testes complementares que confirmam as descobertas publicadas em 2009.
 
Os pesquisadores suíços também investigaram porque as pesquisas que buscavam desmentir as descobertas não puderam repetir os primeiros resultados, e chegaram a uma simples conclusão: "Mostramos que os protocolos aplicados por Alvarez-Alfageme et al. 2011 eram significativamente diferentes daqueles usados em nossos primeiros estudos, e muito menos propensos a detectar efeitos adversos de toxinas do que o estudo de 2009, assim como dos nossos experimentos complementares", explicou Hilbeck. "Quando testamos os protocolos de Alvarez-Alfageme et al. 2011 com organismos alvo susceptíveis ao Bt, no caso a lagarta do cartucho, eles também não foram afetados pela toxina Bt – isso claramente desqualifica o método para avaliar efeitos negativos do Bt em organismos não alvo".
 
Os autores da nova pesquisa destacaram ainda que as pesquisas que apresentam resultados que aparentemente sustentam os argumentos da ausência de riscos dos transgênicos recebem muito pouco escrutínio, aceitando-se, comumente, ciência de baixa qualidade. Por exemplo, crítica comparável à que atacou a pesquisa da Dra. Hilbeck não foi difundida em casos em que o organismo selecionado para testes foram larvas deChrysopidae, que sem dúvida não eram capazes de ingerir a toxina Bt oferecida – portanto, fornecendo resultados do tipo "falso negativo".
 
Embora o Departamento de Proteção Ambiental do governo dos EUA (EPA, na sigla em inglês) tenha reconhecido há alguns anos a inadequação daChrysopidae para experimentos de avaliação de riscos de lavouras transgênicas, estudos com o inseto ainda constituem a base para a aprovação de lavouras transgênica Bt e são considerados "ciência rigorosa" por autoridades europeias.
 
"É surpreendente que as autoridades europeias, após implementarem a legislação de biossegurança, que é baseada no Princípio da Precaução e que demanda pesquisas de avaliação de risco ecológico cientificamente robustas e acompanhamento por duas décadas, ainda se fiem em protocolos sistematicamente falhos e em dados produzidos e promovidos pela indústria de biotecnologia e seus cientistas colaboradores", declarou o Prof. Brian Wynne, do Centro de Estudos dos Aspectos Econômicos e Sociais da Genômica (Cesagen), da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.
 
"A inútil controvérsia a respeito dos experimentos com a joaninha chama atenção para a necessidade do estabelecimento de protocolos e de pesquisas de avaliação de riscos ambientais relevantes. Instamos as autoridades europeias a superar sua confiança na expertise de apenas um setor – dominado pela indústria – ao estabelecer padrões para a aprovação de organismos transgênicos. Além disso, é necessária uma revisão das autorizações comerciais vigentes para o cultivo de plantas transgênicas.", concluiu o Dr. Hartmut Meyer, coordenador da Rede Europeia de Cientistas para a Responsabilidade Social e Ambiental (ENSSER).
 
Extraído de:
 

quinta-feira, 8 de março de 2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

08 de Março Dia da Mulher


Lembramos com muito carinho neste 08/03 de todas as mulheres que constroem a Agricultura Familiar brasileira, essas mulheres nem de longe são frágeis, são sim delicadas, mas são lutadoras, infelizmente na nossa sociedade, muitas vezes elas são vistas como inferiores.

A essas guerreiras que merecem a nossa admiração o nosso carinho e o nosso respeito.

Desejamos um Feliz Dia da Mulher!

Que ele seja festivo mas também
de reflexão e reconhecimento da importância delas na nossa vida.

Emater/RS apresenta novos números da safra de grãos 2011/2012 no Estado

 Os novos números da safra de grãos 2011/2012 foram apresentados pela Emater/RS-Ascar, nesta quarta-feira (07), durante café da manhã com a imprensa na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. No relatório, destacam-se para a safra de verão, as condições meteorológicas registradas em fevereiro, que foram um pouco melhores que em janeiro, quando a deficiência hídrica foi intensa em praticamente todo o Estado. 

Perdas 
O levantamento realizado pela Emater/RS-Ascar entre os dias 20 e 24 de fevereiro considerou as informações de 360 escritórios municipais, cobrindo 80% da área cultivada com arroz, 60% com feijão, 90% com milho e 87% com soja. As perdas de mais de R$ 5 bilhões nesta safra, comparadas com a do ano anterior, e de pouco mais de R$ 3,6 bilhões, calculadas a partir da média histórica dos últimos 10 anos, "não geram um impacto muito negativo para a economia gaúcha, já que o PIB agropecuário do RS é de cerca de R$ 280 bilhões", avaliou o titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Ivar Pavan. Para ele, a agricultura familiar do Estado "merece todo o apoio do Governo, para a recuperação imediata de sua economia." 

Pavan se diz convencido de que o Governo acertou em eleger a Extensão Rural como a principal estratégia para fortalecer o desenvolvimento do Estado. Ele salientou o aumento dos investimentos do Executivo gaúcho na Extensão Rural. "Em 2010, foram R$ 90 milhões. Em 2011, R$ 120 milhões e, em 2012, são R$ 153 milhões, demonstrando que temos compromisso com a agricultura familiar", afirmou. 

Convênios 
Na ocasião, foram assinados também convênios que garantem a capacitação dos agricultores familiares, a organização da cadeia da canola e a viabilização e incremento do Espaço da Família Rural, do Pavilhão da Agricultura Familiar e do Recanto Temático que, nesta edição da Feira, trata da "Energia do Cooperativismo", valorizando o Ano Internacional e o Estadual do Cooperativismo. 

Participaram da solenidade o secretário Ivar Pavan, o presidente da Cotrijal, Nei Mânica, o presidente e os diretores Técnico e Administrativo da Emater/RS, Lino De David, Gervásio Paulus e Valdir Zonin, representantes da Diretoria do Sicredi e o diretor presidente da BSBios, Erasmo Carlos Battistella, e autoridades locais, além da Imprensa. 

Entre os convênios assinados, estão um Termo de Cooperação Interinstitucional entre SDR, Emater/RS-Ascar e Cotrijal, um Termo de Cooperação Técnica entre Emater/RS-Ascar e BSBios para o fomento e organização da cadeira da canola no Estado, e dois Protocolos de Cooperação Interinstitucional com o Sicredi.  

Impacto
Para o presidente da Emater/RS, Lino De David, a assinatura dos convênios "representa oportunidades para a qualificação da participação da Emater na feira, assim como a parceria com as cooperativas de crédito demonstra a preocupação em capacitar os agricultores gaúchos, colocando a agricultura familiar no patamar que merece", afirmou. Sobre os números da safra e de perdas, De David analisa que o impacto vai além das macroculturas. "O problema não termina quando acaba a seca", pois, além da perda de peso dos animais, da falta de água para o abastecimento e a irrigação de hortigranjeiros e frutas, há a necessidade de saldar as dívidas dos créditos e financiamentos.
"Precisamos estar atentos, pois o problema do agricultor não termina quando começa a chover. Para amenizar essa situação, há um conjunto de medidas federais e estaduais que buscam manter o agricultor familiar disposto a acreditar que a próxima safra pode ser melhor", disse De David.

Parcerias 
O presidente da Cotrijal, Nei Mânica, lembrou que todos os anos a Expodireto apresenta inovações e, "este ano, o mais importante é a assinatura do convênio de cinco anos com a SDR, Emater/RS-Ascar e Cotrijal, ampliando a parceria com o Governo do Estado, hoje indispensável". Para Mânica, o espaço da Emater/RS-Ascar e da SDR é um diferencial que mostra o potencial da agricultura familiar. Saul Rovadoscki, presidente do Sicredi Região da Produção, falou sobre a importância da parceria com a Emater/RS-Ascar, pois a grande maioria dos associados é de pequenos produtores. "Não basta dar crédito, é necessário qualificar e qualificar o agricultor, para que eles possam ampliar sua produtividade", disse. 

O diretor presidente da BSBIOS, Erasmo Battistella, ressaltou o compromisso com a agricultura familiar. "Adquirimos a matéria-prima de mais de 11 mil famílias de agricultores familiares. Isso justifica a renovação do nosso convênio com a Emater, para melhorarmos a produção de canola", observou. Já o prefeito de Não-Me-Toque, Antônio Piva, parabenizou "o importante e qualificado trabalho que a Emater desenvolve no Estado e pela parceria na Expodireto, demonstrando todo o potencial da agricultura familiar no Pavilhão e na Casa da Família Rural". 

Dados por cultura
Arroz - A produtividade média deverá ser de 6,8 mil kg/ha (-0,88%), com uma produção total de 7,46 milhões de toneladas, uma diferença de -7,45% em relação à expectativa inicial e -16,58% em relação à safra passada, quando, segundo o IBGE, foram colhidos 8,94 milhões de toneladas. No momento, a colheita atinge 13% das lavouras. 

Feijão - A produtividade deverá ser de 1.012 kg/ha, projetando uma produção de 69.533 toneladas, ante as 81,6 mil toneladas estimadas inicialmente, ou -25,25% se comparadas com a safra passada (93 mil toneladas). A colheita está praticamente encerrada.

Milho - A produtividade média deverá ser de 2,6 mil kg/ha. Esses números projetam uma produção de 3,05 milhões de toneladas para esta safra, o que representa, até o momento, uma diferença de -42,58% em relação à estimativa inicial (5,3 milhões de toneladas) e -47,27% comparando-a com a safra 2011 (5,78 milhões toneladas).

Soja - Com uma produtividade média de 1.738 kg/ha, há uma expectativa de colheita de 7,1 milhões de toneladas. Até o momento, essa produção é 39,% menor do que a obtida no ano passado (11,7 milhões de toneladas). A cultura está em início de colheita. 

Texto: Aline Rodrigues e Adriane Bertoglio Rodrigues
Edição: redação Secom (51) 3210-4305
 

terça-feira, 6 de março de 2012

A grande contradição brasileira, artigo de Leonardo Boff

Mais e mais cresce a convicção, inclusive entre os economistas seja do stablisment seja da linha neokeynesiana, de que nos acercamos perigosamente dos limites físicos da Terra. Mesmo utilizando novas tecnologias, dificilmente poderemos levar avante o projeto do crescimento sem limites. A Terra não aguenta mais e somos forçados a trocar de rumo.

Economistas como Ladislau Dowbor entre nós, Ignace Sachs, Joan Alier, Herman Daly, Tim Jack e Peter Victor e bem antes Georgescu-Roegen incorporam organicamente o momento ecológico no processo produtivo. Especialmente o inglês T. Jack se celebrizou pelo livro "Prosperidade sem crescimento"(2009) e o canadense P. Victor pelo "Managing sem crescimento"(2008). Ambos mostraram que o aumento da dívida para financiar o consumo privado e público (é o caso atual nos paises ricos), exigindo mais energia e uso maior de bens e serviços naturais não é de modo algum sustentável.

Os Prêmios Nobel como P. Krugman e J. Stiglitz, porque não incluem explicitamente em suas análises os limites da Terra, caem na armadilha de propor como saída para a crise atual um maior gasto público no pressuposto de que este produzirá crescimento econômico e maior consumo com os quais se pagarão mais à frente as astronômicas dívidas privadas e públicas. Já dissemos à saciedade, que um planeta finito não suporta um projeto desta natureza que pressupõe a infinitude dos bens e serviços. Esse dado já é assegurado.

O que Jack e Victor propõem é uma "prosperidade sem crescimento". Nos paises desenvolvidos o crescimento atingido já é suficiente para permitir o desabrochar das potencialidades humanas, nos limites possíveis do planeta. Então chega de crescimento. O que se pode pretender é a "prosperidade" que significa mais qualidade de vida, de educação, de saúde, de cultura ecológica, de espiritualidade etc. Essa solução é racional mas pode provocar grande desemprego, problema que eles resolvem mal, apelando para uma renda universal básica e uma diminuição de horas de trabalho. Não haverá nenhuma solução sem um prévio acerto de como vamos nos relacionar com a Terra, amigavelmente, e definir os padrões de consumo para que todos tenham o suficiente e o decente.

Para os países pobres e emergentes se inverte a equação. Precisa-se de "crescimento com prosperidade". O crescimento é necessário para atender as demandas mínimas dos que estão na pobreza, na miséria e na exclusão social. É uma questão de justiça: assegurar a quantidade de bens e serviços indispensáveis. Mas simultaneamente deve-se visar a prosperidade que tem a ver com a qualidade do crescimento. Há o risco real de que sejam vítimas da lógica do sistema que incita a consumir mais e mais, especialmente bens supérfluos. Então acabam agravando os limites da Terra, coisa que se quer exatamente evitar. Estamos face a um angustiante círculo vicioso que não sabemos como faze-lo virtuoso sem prejudicar a sustentabilidade da Terra viva.

A contradição vivida pelo Brasil é esta: urge crescer para realizar o que o governo petista fez: garantir os mínimos para que milhões pudessem comer e, por políticas sociais, serem inseridos na sociedade. Para as classes já atendidas, precisa-se cobrar menos crescimento e mais prosperidade: melhorar a qualidade do bem viver, da educação, das relações sociais menos desiguais e mais solidariedade a partir dos últimos. Mas quem vai convecê-los se são violentamente cooptados pela propaganda que os incita ao consumo? Ocorre que até agora os governos apenas fizeram políticas distributivas: repartiram desigualmente os recursos públicos. Primeiro garantem-se 140 bilhões de reais para o sistema financeiro a fim de pagar a dívida pública, depois para os grandes projetos e somente cerca de 60 bilhões para as imensas maiorias que só agora estão ascendendo. Todos ganham mas de forma desigual. Tratar de forma desigual a iguais é grande injustiça. Nunca houve políticas redistributivas: tirar dos ricos (por meios legais) e repassar aos que mais precisam. Haveria equidade.

O mais grave é que com a obsessão do crescimento estamos minando a vitalidade da Terra. Precisamos de um crescimento mas com uma nova consciência ecológica que nos liberte da escravidão do prudutivismo e do consumismo. Esse é o grande desafio para enfrentar a incômoda contradição brasileira.

Leonardo Boff escreveu Sustentabilidade: o que é e o que não é, Vozes, Petrópolis 2012.

Artigo originalmente publicado por Leonardo Boff em seu blogue pessoal.

EcoDebate, 28/02/2012

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